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gnl - [Review] Documentário TBP AFK

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[Review] Documentário TBP AFK


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  • From: Hugo Cerqueira <hrcerq AT disroot.org>
  • To: Lista GNL <gnl AT framalistes.org>
  • Subject: [Review] Documentário TBP AFK
  • Date: Sun, 26 Dec 2021 17:58:41 -0300

Olá, pessoal.

Espero que o natal de todos tenha sido bom.

Há alguns dias assisti um documentário bem legal, intitulado TBP AFK
(que é uma abreviação para The Pirate Bay Away From Keyboard).

Para quem nunca ouviu falar, pode buscar informações sobre na página da
Wikipédia:

https://pt.wikipedia.org/wiki/TPB_AFK

E também pode assistir gratuitamente no Libreflix:

https://libreflix.org/i/tpb-afk

O documentário fala sobre a polêmica que envolveu o site The Pirate
Bay, e como a indústria do entretenimento ligada ao copyright atacou o
grupo que mantinha o serviço usando táticas sujas e enganosas. É fato
que o serviço foi negligente com muitas violações de copyright, porém o
ponto apresentado no documentário é a abordagem arcaica, antiética e
ineficaz escolhida pela indústria para tentar resolver a questão.

Comecemos falando do título: TBP AFK. O que isso significa?

Pois bem, para quem não conhece (o que acho difícil, mas vamos lá), o
site The Pirate Bay foi criado por um pequeno grupo na Suécia, e era
mantido por 3 pessoas que basicamente se comunicavam por IRC e listas
de e-mail.

O nome do serviço pode induzir a pensar que a intenção era compartilhar
conteúdo sem permissão (prática que algumas pessoas insistem em igualar
à de atacar e saquear barcos). Porém isso nada mais era que uma
provocação a essa estranha comparação.

O site foi (e ainda é) um grande expoente do tráfego de dados global
(pela Internet), e indexador de magnet links (ou .torrent), que as
pessoas poderiam usar para buscar filmes, músicas, documentos e
qualquer outro tipo de conteúdo indexado.

Infelizmente o que acabou acontecendo é que muitos dos usuários
compartilhavam conteúdo sobre o qual não tinham direitos de
compartilhamento (ao menos não em uma proporção global como a da
Internet). Isso levou a uma série de denúncias e pedidos dos detentores
de copyright de que o conteúdo fosse removido do site.

O que ocorre é que na prática o conteúdo não estava no TBP, apenas
indexado, e nas leis suecas, não é crime indexar ou facilitar o acesso
ao conteúdo compartilhado dessa maneira. Logo, nada era feito, e o
grupo respondia a esses pedidos dizendo que quem deveria ser contatado
era quem compartilhou o conteúdo e não eles.

O termo AFK é explicado no próprio documentário. O objetivo é colocar
um contraponto ao termo "na vida real", que induz a pensar que o que
ocorre na Internet não é real. Durante a inquirição no tribunal o grupo
explica que usam AFK e não "no mundo real", pois na prática tudo é real.

O documentário, embora apresente uma questão bastante séria, que é uma
censura ao compartilhamento e uma tentativa de colocar catracas em
todas as interações do nosso cotidiano, o faz com algumas doses de
humor:

- Em dado momento, o grupo faz chacota do termo "crime organizado"
atribuído a eles, afirmando que são tudo menos organizados. Se fossem
criminosos, então seria crime desorganizado.

- Quando a polícia apreende servidores do TBP, esperava-se que o serviço
ficasse indisponível. Porém dois dias depois, um backup havia sido
restaurado em servidores na Holanda e o site estava de volta. Nessa
ocasião, Peter Sunde, um dos integrantes do grupo, declara em público:
"In your face, Hollywood!".

Também é engraçado como as figuras antagônicas conversam nos corredores
do tribunal como se nada demais estivesse acontecendo. Bem diferente do
que observamos em filmes que exaltam as tensões entre grupos
antagônicos nos tribunais.

No entanto, esse humor é contraposto ao discurso dos "inimigos do
compartilhamento" se podemos chamar assim, que é muitas vezes digno de
causar ânsia de vômito. Suas táticas passam por atacar pessoas em vez de
ideias, criar números completamente fantasiosos e mentir
deliberadamente, além de demonstradas conexões com juízes e conflitos
de interesses.

Um fator que definitivamente não contribui para o grupo do TBP está em
não levarem a sério o julgamento. Durante todo o processo, eles
demonstram pouca ou nenhuma preocupação com o resultado e nenhuma
cooperação durante a inquirição, sendo sarcásticos e lacônicos a todo
momento.

Se por um lado isso pode ser compreendido por pessoas como nós, que
participam de fóruns, listas de e-mails e conhecemos a cibercultura,
para os dinossauros presentes no tribunal isso pode ter sido entendido
como desrespeito e desprezo às autoridades.

Se há uma lição que penso haver nisso é a de que você deve conhecer a
linguagem do seu adversário, especialmente quando está no território
dele.

Para mim, o compartilhamento deveria ser incentivado, porém dentro da
lei. A indústria deve se reinventar, pois hoje a informação ficou muito
mais fácil de copiar, e tentar barrar isso técnica ou juridicamente é
simplesmente ineficaz.

Dito isso, fica aqui a minha recomendação: assistam.

--
Atenciosamente,

Hugo R. Cerqueira

"A única maneira de lidar com um mundo sem liberdade é tornar-se tão
absolutamente livre que a sua própria existência seja um ato de
rebelião."

(Albert Camus)


  • [Review] Documentário TBP AFK, Hugo Cerqueira, 12/26/2021

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